Enquanto houver sol

A mitologia Grega nos conta que houve um tempo, um remoto tempo, quando os Deuses dispuseram a Epimeteu (irmão de Prometeu), a mulher perfeita, Pandora, aquela que foi cumulada de todos os dotes, inclusive a curiosidade... Interessante, você conhece alguma mulher que não disponha desse dote? As mulheres são fruto da criação Divina, não é mesmo? Aliás, sabe o que significa em grego Epimeteu? Aquele que pensa depois... Mas, voltando ao enredo: dispuseram os Deuses à Pandora um presente, uma ânfora, um jarro, ou como nós ouvimos uma caixa que não deveria ser aberta. Sabe como é, a curiosidade... Pandora... Epimeteu... e o que havia dentro da “caixa”? Assim, foram expostos ao mundo todos os males que atormentam a humanidade. Assim, escaparam a fome, a violência, o sofrimento, a pobreza, o trabalho árduo e por aí vai.

Ao dar-se conta do que estava acontecendo Pandora apressou-se em fechar o jarro, mas tardiamente, e assim a Esperança foi a única a ficar presa, em poder da humanidade, e é a ela que recorremos para podermos enfrentar e dar conta do Caos que nos seqüestra vez por outra.

Diga-me, por favor, qual outra benção poderia socorrer a população fluminense quando a fúria dos Deuses sobre ela se derramou? Não fosse a Esperança, que mais poderia mantê-la em pé até que o Cosmo (organização, Vida) voltasse a se instalar? Você poderia me propor que foi o Amor solidário, ou o interesse econômico, ou tantas outras razões que socorreram aquelas pessoas, e eu poderei concordar contigo, mas insisto que foi a Esperança que as manteve de pé até que todo o fraterno socorro pudesse alcançá-las.

Bem, e a Odontologia? Onde é que entre nessa história mítica, nesse épico episódio de sofrimento e heroísmo dos dias atuais? Creio que de novo é a Esperança a boa resposta. Em minha vida profissional é constante receber pessoas em sofrimento, os mais diversos, tais como a dor, física e moral, o medo, a fobia, a vergonha, a crença na impossibilidade, culpa, enfim tantos males que parecem saídos da “Caixa de Pandora”. Mas, quando descobrimos, eu e esses pacientes, que poderemos contar com dias melhores, na aliança solidária, no pacto, nos recursos tecnológicos, a experiência profissional, nos estudos científicos, enfim em tantas pequenas ações que somadas poderão transformar o mundo, remover montanhas (mesmo aquelas que caíram, como aos fluminenses), também perceberemos que foi a Esperança que manteve aquele paciente em condições de ser encontrado sobre os escombros da Vida, e foi ela que o manteve em condições de encontrar-se com alvissareiras propostas e ações para um presente e futuro melhores.

Se você permitir-me uma sugestão, procure o seu Dentista, tente reconhecer as áreas de risco da sua saúde bucal (na verdade sua saúde, a saúde bucal não é alguma saúde isolada, certo?!), estabeleça ações preventivas, e ainda assim se já for tarde para a prevenção, sempre haverá a Esperança, essa terna e eterna aliada. Dias melhores virão, é preciso buscar, aceitar o nosso Destino de luta em busca da Felicidade, em busca da Vida.

Quero para finalizar contar-lhe que sou filho de Nova Friburgo, meu lugar especial no mundo, e é sob lágrimas que presto essa pequena homenagem àquelas pessoas de coragem, algumas infelizmente mortas, outras felizmente vivas em que pese as severas perdas.

Que a Esperança nos mantenha, a vocês amados leitores, a vocês amados irmãos fluminenses no Caminho da Vida!